Uma investigação sobre presença, fragmento e matéria na pintura contemporânea.
Presença. Fragmento. Matéria.
CORPO investiga a presença humana através da recusa do retrato convencional. Em vez de edificar a figura totalizada ou documentar a identidade individual, a pesquisa aproxima a lente sobre pontos de máxima tensão anatômica — o pescoço, o dorso e a face.
O sujeito permanece parcialmente reconhecível, porém sua individualidade entra em estado de suspensão. O corpo deixa de ser mero continente biográfico e se converte em paisagem pictórica pura.
Três aproximações anatômicas complementares que articulam a transição entre forma e suporte.
O corpo reduzido à sua estrutura, peso e densidade matérica.
A postura silenciosa e a massa corporal enquanto presença pura.
A dissolução do retrato fisionômico em espectro pictórico.
"O corpo reduzido à sua estrutura óssea e à sua massa cromática."
O fragmento elimina o rosto e transforma a anatomia em campo topográfico. A forma corporal surge entre áreas densamente empastadas a óleo e zonas onde o suporte respira, criando um diálogo entre profundidade e bidimensionalidade.
A escala e a gravidade da pintura redefinem o ambiente circundante.
Quando instalada no espaço físico, a horizontalidade de Pescoço atua como uma linha de horizonte sensorial. O equilíbrio entre os tons de pele quentes e a paleta terrosa estabelece uma conversa natural com materiais nobres como madeira, concreto aparente e linho.
"A corporeidade como postura contida e peso escultural."
Na verticalidade de Dorso, a recusa do rosto é absoluta. A coluna vertebral e as escápulas estruturam uma composição vertical em que a luz constrói volumes vigorosos contra um fundo neutro, enfatizando a vulnerabilidade e a força da presença física.
"O semblante dissolvido em vibração de matéria e espectro."
Em Face, os limites do retrato se esvaem. Não há olhos nem feições definidas: a cabeça é tratada como um bloco de massa orgânica sob tensão cromática. A identidade individual recua para que emerja uma presença humana arquetípica e atemporal.
A pesquisa não escolhe entre o meio analógico e o digital — ela funde ambos em um ciclo contínuo de materialização e ressignificação:
Pintura física a óleo sobre tela (densidade e gesto original).
Camada espectral e ajuste de respiro anatômico.
Impressão giclée fine art em canvas de algodão estruturado.
Pescoço, Dorso e Face dialogam em contraponto visual contínuo.
Quando dispostas em uma mesma parede de galeria, as três obras criam uma tensão equilibrada: a massa horizontal de Pescoço ancora a base visual, enquanto os dois eixos verticais de Dorso e Face pontuam a elevação do olhar.
Série desenvolvida em 2026 explorando as fronteiras entre materialidade tátil, matriz pictórica e presença humana contemporânea.
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