A série começa com fotografias realizadas a partir do próprio cotidiano: a casa, objetos, detalhes e situações que chamam atenção pela composição.
A fotografia não é reproduzida literalmente. Ela deixa de funcionar como documento e passa a ser matéria-prima para uma nova imagem.
Partes do real são reorganizadas, simplificadas e deslocadas. O desenho e os blocos de cor ganham espessura e densidade visual próprias, afastando a imagem de qualquer automatismo superficial.
Primeiro conjunto apresentado nesta pesquisa. As imagens não procuram construir uma narrativa grandiosa; elas registram diferentes possibilidades de transformar observações ordinárias em objetos pictóricos.
O processo combina fotografia, direção visual, pintura digital, intervenção manual e impressão fine art.
A tecnologia participa da construção da imagem, mas o resultado é orientado por decisões autorais de seleção, composição, cor, gesto e acabamento físico.
A fotografia fornece a situação. A pintura determina como ela permanece.
As imagens são construídas com campos de cor, pinceladas visíveis, simplificação das formas, textura e pequenas imperfeições. O objetivo não é apagar o processo, mas deixar que a espessura física permaneça perceptível.
A pesquisa não termina na imagem digital.
Os trabalhos são concebidos para impressão fine art sobre canvas, onde escala, superfície, borda, moldura e relação com o espaço passam a integrar a experiência sensorial da obra.
A passagem do cotidiano para a pintura altera a escala de atenção.
Aquilo que era apenas parte da casa ou de um dia qualquer ganha uma segunda existência: deixa de ser somente registro e passa a funcionar como imagem, superfície e objeto.
COTIDIANO é uma investigação aberta sobre atenção, composição e transformação. O ponto de partida é a vida comum. Cada nova fotografia pode revelar uma nova possibilidade de pintura.
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